Petrobras mantém blindagem contra volatilidade internacional em meio à escalada da defasagem dos combustíveis

Brasil – Em meio à alta do petróleo Brent para o patamar de US$ 108 e uma forte pressão cambial com o dólar acima de R$ 5,15, a Petrobras reafirmou nesta segunda-feira (06) sua estratégia de não repassar a volatilidade internacional para as bombas brasileiras.

A decisão, comunicada oficialmente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), confronta os dados mais recentes do mercado, que apontam uma defasagem expressiva de até 70% no diesel e quase 60% na gasolina em relação ao preço de paridade de importação (PPI), reacendendo o debate entre investidores sobre o impacto dessa contenção na rentabilidade da estatal.

A companhia defende firmemente sua atual política comercial, que aboliu a periodicidade definida para reajustes com o objetivo de “abrasileirar” os preços. Segundo a Petrobras, a estratégia segue critérios técnicos, respeita a governança corporativa e tira proveito de suas vantagens competitivas em refino e logística.

Em resposta aos questionamentos da CVM e ao ceticismo do mercado, a empresa foi categórica ao afirmar que não reconhece as estimativas de defasagem calculadas por agentes externos.

Para a diretoria, o foco é proteger o mercado interno de flutuações bruscas e de curto prazo, muitas vezes impulsionadas por ruídos geopolíticos, como as atuais tensões no Oriente Médio.

Os números do setor financeiro e de infraestrutura, contudo, ilustram uma panela de pressão acumulada nas refinarias. Levantamentos apontam que o diesel vendido pela estatal opera, em média, mais de R$ 2,10 abaixo do custo de importação, mantendo a janela de arbitragem fechada há 83 dias.

O último movimento da petroleira para o diesel foi um reajuste em meados de março. A gasolina vive um cenário análogo: o combustível acumula 70 dias sem aumentos, chegando a custar cerca de R$ 1,50 a menos por litro do que a cotação internacional exigiria.

Como importar se tornou economicamente inviável frente aos preços da estatal, refinarias privadas, como a Acelen na Bahia, já começaram a promover reajustes independentes para tentar equilibrar a balança.

Esse cabo de guerra entre os preços controlados e as cotações globais coloca as ações da companhia no centro das atenções da bolsa de valores. Há um temor natural de que a defasagem prolongada acabe corroendo as margens, o lucro e a forte geração de caixa da empresa no curto prazo.

No entanto, os papéis preferenciais (PETR4) têm demonstrado forte resiliência nos últimos pregões, sustentando cotações na casa dos R$ 48.

O mercado, por ora, parece confiar na capacidade da gestão de equilibrar o peso dessa política de preços com o seu robusto histórico de distribuição de dividendos, embora o limite financeiro para essa blindagem continue sendo o grande foco de atenção nas mesas de operação.

Fonte: CM7