São Paulo – Mais de 20 anos após o assassinato de Manfred von Richthofen e Marísia von Richthofen, a filha do casal, Suzane von Richthofen, voltou a falar sobre o caso em um documentário ainda sem data oficial de estreia. Na produção, ela relembra a infância, o relacionamento com a família e os acontecimentos que antecederam o crime.
Por ora, o longa-metragem de quase duas horas só foi disponiblizado pela Netflix numa pré-estreia restrita.
Ao longo do depoimento, Suzane descreve o ambiente familiar como distante e sem demonstrações de afeto. “Não tinha demonstração de amor”, afirma. Segundo ela, o pai era mais rígido, enquanto a mãe apresentava momentos pontuais de carinho. A condenada também relata episódios de conflitos entre os pais e diz ter presenciado cenas de violência dentro de casa.
Ela aponta ainda que o relacionamento com o irmão, Andreas von Richthofen, funcionava como uma espécie de refúgio. “A gente criou um mundo nosso”, contou.
Nesse contexto, Suzane afirma: “Minha família não era família Doriana. Longe disso. Meus pais construíram um abismo entre nós”. Em outro momento, diz que “esse espaço vazio foi ocupado pelo Daniel”.
O homicídio ocorrido em 2002 foi planejado pela filha do casal e executado pelos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos. “Eu não construí a arma do crime. Não tenho nada a ver com isso”, ressaltou Suzane.
No entanto, ela admite responsabilidade: “Eu aceitei. Eu os levei para dentro da minha casa. A culpa é minha”, declarou.
Na narrativa de Suzane, a ruptura familiar se aprofundou à medida que o namoro com Daniel se consolidava.
O ponto de virada, segundo ela, aconteceu quando os pais viajam por 30 dias para a Europa, e Daniel se mudou para viver com ela dentro da casa da família.
“Foi um mês de liberdade total. Um sonho que eu não queria que acabasse. Era o dia inteiro de sexo, drogas e rock ’n’ roll”, recordou.
Suzane ainda diz que a ideia do crime não surgiu de forma direta, mas foi sendo construída aos poucos. “Nós não falávamos em matar meus pais. A gente dizia que seria muito bom se eles não existissem”, descreveu. O duplo homicídio, assim, foi ganhando forma até se tornar concreto.
Ela afirma que não participou da execução, dizendo que permaneceu em outro ambiente da casa no momento do assassinato, embora soubesse o que estava acontecendo.
Em outro momento, ela classificou o próprio estado de espírito no momento da execução como “dissociado”.
“Eu não estava em mim. Era como um robô, sem sentimento”, comparou. Ao mesmo tempo, reconhece que poderia ter interrompido o assassinato dos pais. “Se eu parasse pra pensar, aquilo não aconteceria. (…) Quando tudo terminou, o impacto veio de forma imediata. Não tinha mais como voltar atrás. O que eu fiz não tem mais volta”, reforçou.
Ao final, ela reafirma que o passado ficou para trás. “Aquela Suzane ficou lá atrás”, afirmou, dizendo se considerar hoje uma pessoa diferente da que participou do crime.
Fonte: D24am.