Diretor de escola é denunciado em Manaus após propor ‘trisal’ com adolescentes: “Combina com ela aqui pelo Condomínio”; veja vídeo

Manaus – Um grave escândalo de assédio sexual, aliciamento de menores e acobertamento institucional veio à tona em Manaus, abalando a confiança da comunidade escolar. Danilo Batista de Souza, diretor do CIME Senador Artur Virgílio do Carmo Ribeiro Filho, é o centro de uma série de denúncias criminais e administrativas. Acusado de utilizar sua posição de poder para assediar sexualmente adolescentes, o caso revela um suposto esquema contínuo de abusos, intimidação e forte cumplicidade por parte de outros profissionais da educação.

A Denúncia Formal na Polícia Civil

A gravidade do caso foi formalizada no dia 15 de abril de 2026, quando um pai compareceu à Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) para registrar um Boletim de Ocorrência (BO nº 00114911/2026). O documento foi registrado em nome de seu filho, um adolescente de apenas 16 anos.

Segundo o BO, o garoto de 16 anos vítima de abuso sexual por parte do diretor Danilo Batista de Souza desde a época em que cursava o 9º ano na instituição, com mensagens de cunho sexual que permaneceram até os dias atuais. O caso foi tipificado como Assédio Sexual (Art. 216-A caput do Código Penal Brasileiro).

O “Grêmio Estudantil” como Fachada para Aliciamento

Áudios vazados de ex-alunos apontam que o Grêmio Estudantil da escola operava sob um clima de medo e servia como um ambiente de fácil acesso às vítimas. Uma ex-aluna, que preferiu não se identificar, relatou sua experiência como diretora de Cultura e Artesno grêmio estudantil: “Aquele grêmio, a gente sabia de coisas que a gente não podia espalhar para a escola. E se a gente ousasse falar, ia ter punições”. Essa mesma ex-aluna descreveu situações flagrantes envolvendo a autoridade máxima da escola. “Eu vi várias vezes o próprio diretor saindo de dentro de banheiros com um dos meninos do grêmio. Eles saíam escondidos, desconfiados, e era muito, muito, muito frequente isso que acontecia”, revelou. Os relatos também expõem uma tática de “favoritismo” usada pelo diretor para manipular os jovens. Outra denunciante afirmou que o ambiente escolar era tão tóxico que, ao entrar no grêmio, percebeu imediatamente que presenciaria coisas inomináveis: “Ninguém é confiável, até mesmo alguns alunos, porque alguns alunos sabiam disso, participavam, como o Caio, o Janderson e entre outros meninos”, relatou. Ela detalhou como funcionava a aproximação: “O Caio era um dos xodós dele. Um dos xodós que ele dava presente, um dos xodós que ele levava para sair, dava carona e fazia de tudo”.

A Proposta de um “Trisal” com alunos e os Prints do Instagram

O assédio ultrapassava os muros da escola e invadia as redes sociais. Em conversas com uma das testemunhas na rua, foi revelado um episódio chocante envolvendo o aluno Janderson. “Ela me contou que uma vez o Danilo mandou mensagem no Instagram dele falando que era para ele arrastar essa menina que eu conversei para a casa do Danilo que ele ia dar um quarto para eles simplesmente montarem um trisal ali, um trisal forçado, para mim não usar a palavra mais direta”, declarou um dos responsáveis pela denúncia.

A denúncia ganhou força com a divulgação de capturas de tela do Instagram de Danilo Batista. Nas mensagens, o diretor insiste para que um aluno leve uma colega ao seu apartamento. “Combina com ela de acertar ela aqui pelo condomínio […] Te empresto aqui em casa”, escreveu Danilo. Quando o aluno recusa, alegando que o pai da garota é rígido e que seria “arriscado demais”, o gestor rebate com frieza: “De vez em quando ela está por aqui. Dar perdido ela sabe muito bem. E você entra normal… Mas isso faz tempo. E nunca impediu de vocês transarem”.

Acobertamento e Impunidade Histórica

O que revolta pais e testemunhas é a rede de proteção que manteve o diretor no cargo. “Os professores sabem que isso acontece, até porque isso já aconteceu na frente deles e eles passam pano por puro medo”, explicou um denunciante. Segundo esse relato, as denúncias contra Danilo não são recentes: “O Danilo já foi denunciado mais de 8 a 12 vezes e nunca nada foi feito, até porque ele consegue se esconder e ele consegue meio que apagar as provas. Mas felizmente alguém foi mais inteligente e conseguiu esses prints”.

Ainda mais grave é a postura atual de parte do corpo docente. “E tem três professoras lá dentro, atualmente, que estão fazendo a cabeça dos pais, botaram os alunos para fazer cartazes pedindo para o diretor voltar, sendo que nenhum desses alunos sabe por que ele foi tirado, entendeu? Os pais também que não sabem”, denunciou uma fonte ligada à escola.

Perfil “Dix”

O termo dix (ou “finsta”) refere-se a uma conta secundária e privada no Instagram, geralmente utilizada para postagens mais espontâneas, desabafos ou conteúdos direcionados a um grupo muito restrito de amigos. No contexto desta denúncia, o perfil “danilobatista1992.real” funcionava como essa conta pessoal e menos formal, mantendo a mesma identidade do acusado (incluindo sua data de nascimento e localização), mas sendo o canal por onde ocorriam os diálogos de cunho sexual e o aliciamento de estudantes.

A investigação revela que o investigado utilizava essa dualidade digital para separar sua imagem pública de “Doutor em Educação” e professor da SEMED de suas atividades predatórias. Enquanto o perfil oficial servia para manter o prestígio profissional e o status na Secretaria de Educação, o perfil dix era o meio utilizado para convites libidinosos, propostas de “trisais forçados” e a oferta de sua própria residência para encontros entre alunos menores de idade.

Busca por Justiça

Com a repercussão e as denúncias encaminhadas, a pressão sobre as autoridades aumentou. Danilo Batista de Souza deverá ser afastado das suas funções, enquanto as investigações criminais na DEPCA avançam. A sociedade de Manaus agora aguarda que a rede de omissão seja desmantelada e que a justiça seja feita para os jovens que, por anos, tiveram seu ambiente de aprendizado transformado em um cenário de insegurança e abusos.

Fonte: CM7