Brasil – O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) utilizou suas redes sociais para subir o tom das críticas contra Jorge Messias, atual advogado-geral da União e indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). O vídeo, que circula amplamente em grupos de oposição, foi publicado no momento em que Messias enfrenta a sabatina no Senado Federal nesta quarta-feira (28).
No conteúdo, Nikolas faz uma retrospectiva da trajetória de Messias, conectando pontos que, segundo o parlamentar, desqualificam o jurista para a imparcialidade exigida na Corte.
O Caso “Bessias” e a proximidade com o poder
O parlamentar iniciou o vídeo resgatando o episódio que tornou Jorge Messias conhecido nacionalmente em 2016. Na época, um áudio vazado da Operação Lava Jato revelou a então presidente Dilma Rousseff informando a Lula que enviaria o termo de posse como ministro por meio do “Bessias” (referindo-se a Messias), em uma manobra que visava garantir foro privilegiado ao petista e evitar sua prisão.
Nikolas também apontou uma contradição direta no discurso de campanha de Lula. Em 2022, o atual presidente afirmou em debate que não era “prudente” indicar amigos para o STF.
“É mais um amigo do Lula sendo indicado para o STF. Lembra do que o Lula prometeu na campanha? Pois é, hoje já são dois amigos que ele tem na Corte, sendo que um era seu ex-advogado [Cristiano Zanin]”, criticou o deputado, classificando a indicação como parte de um “balcão de negócios políticos”.
A polêmica da assistolia fetal
Um dos pontos de maior impacto no vídeo diz respeito à pauta de costumes. Nikolas Ferreira questionou a coerência religiosa de Messias, que se declara evangélico. O deputado lembrou que a AGU, sob o comando do indicado, assinou um parecer considerando inconstitucional a proibição do Conselho Federal de Medicina (CFM) à prática de assistolia fetal em gestações acima de 22 semanas.
“A assistolia fetal é um procedimento em que se injeta uma substância no coração do bebê para provocar sua morte antes do nascimento”, explicou Nikolas, ressaltando que, nessa fase, o feto já possui viabilidade de vida fora do útero.
Falta de transparência e o “Ministério da Verdade”
A gestão de Jorge Messias à frente da AGU também foi alvo de denúncias sobre falta de transparência. O parlamentar destacou que a distribuição de honorários advocatícios, que somaram R$ 2,5 bilhões, ficou sob sigilo por oito meses, entre novembro de 2024 e maio de 2025, sendo liberada apenas após pressão da imprensa.
Além disso, o vídeo menciona a atuação de Messias em temas controversos, como a criação da Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia — apelidada pela oposição de “Ministério da Verdade” —, ações contra os envolvidos nos atos de 8 de janeiro e questões envolvendo fraudes no INSS.
Pressão sobre o Senado
Ao encerrar a publicação, Nikolas Ferreira dirigiu-se diretamente aos senadores, responsáveis por aprovar ou rejeitar o nome de Messias. Ele rebateu declarações recentes do indicado, que se disse “indignado” com projetos de anistia.
“A verdadeira indignação está no brasileiro que paga impostos e vê o dinheiro desviado em corrupção; que leva o filho doente ao posto de saúde e não encontra médico. E agora este homem quer ser o juiz dessas mesmas pessoas”, disparou.
O parlamentar apelou para que os senadores de oposição tornem seus votos públicos, já que a votação oficial é secreta, permitindo que o eleitorado saiba quem apoiou a indicação de Lula para a mais alta Corte do país.
Fonte: CM7