Guerra dos drones cria faixa mortal de 50 km onde nada sobrevive na Ucrânia

Ucrânia – A guerra na Ucrânia entrou em uma nova fase marcada pela expansão das áreas controladas por drones ao longo da linha de frente. Autoridades ucranianas afirmam que, em alguns trechos do conflito, a chamada “zona de destruição” já alcança até 50 quilômetros, transformando vastas regiões em locais onde qualquer movimentação pode ser detectada e atacada em poucos minutos.

Segundo Davyd Aloian, vice-secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional da Ucrânia, existem áreas em que a cobertura de drones é tão intensa que praticamente nenhum veículo consegue operar sem ser identificado e destruído rapidamente. Ele descreveu esses setores como uma “zona de morte”, dominada pela vigilância constante e pelos ataques realizados por aeronaves não tripuladas.

A estimativa mais ampla apresentada por Aloian supera avaliações anteriores. Em muitas regiões, a profundidade dessas áreas perigosas varia entre 20 e 40 quilômetros, de acordo com Oleksandr Mischenko, vice-ministro das Relações Exteriores da Ucrânia. Ambos destacaram que os drones alteraram profundamente a forma como as guerras são travadas.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, também já classificou esses espaços como “zonas da morte”, afirmando que tanques, blindados e até motocicletas que entram nelas acabam destruídos. Segundo ele, os drones se tornaram o principal instrumento de combate próximo à linha de frente.

Embora o conceito de “zona de destruição” exista há muito tempo na estratégia militar, especialistas apontam que a diferença no conflito atual está na escala alcançada pela tecnologia. A presença maciça de drones tornou essas áreas maiores, mais persistentes e muito mais difíceis de evitar do que em guerras anteriores.

O analista militar Dmytro “Liber” Zhluktenko, ex-piloto de drones das forças ucranianas, afirmou ao Business Insider que a área de risco continua se expandindo. Ainda assim, ele pondera que entrar nessas regiões não significa morte certa. Segundo o especialista, soldados permanecem operando nesses locais por longos períodos e, em alguns casos, conseguem até realizar rotações de pessoal, embora os riscos aumentem significativamente quanto mais próximos estejam dos combates diretos.

A saturação do campo de batalha por drones levou os dois lados a reposicionarem alvos considerados estratégicos, como centros logísticos, sistemas de comando e peças de artilharia, para locais mais distantes da linha de frente. O objetivo é reduzir a vulnerabilidade diante da vigilância aérea permanente.

A criação dessas áreas altamente monitoradas também tem dificultado ofensivas de grande escala. Analistas do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), dos Estados Unidos, avaliam que tanto a Rússia quanto a Ucrânia enfrentam obstáculos para concentrar grandes quantidades de tropas e equipamentos pesados perto da frente de combate sem serem detectadas e atacadas.

Segundo os pesquisadores, essa realidade tem impedido avanços decisivos de qualquer um dos lados. Grandes agrupamentos de soldados, blindados ou veículos são rapidamente identificados por drones de reconhecimento e, em seguida, atacados por aeronaves de combate.

Mesmo assim, analistas observam que a Ucrânia conseguiu recentemente operar alguns equipamentos mecanizados em áreas mais próximas da linha de frente, algo considerado praticamente impossível no ano passado devido à intensidade das operações com drones.

A proliferação dessas aeronaves transformou o conflito em um laboratório de novas táticas militares. Zelensky afirmou anteriormente que os drones ucranianos são responsáveis por cerca de 90% das perdas russas registradas na frente de batalha. A experiência acumulada no conflito vem sendo acompanhada de perto por países ocidentais, que buscam adaptar suas próprias estratégias e ampliar investimentos em tecnologias de drones e sistemas de defesa contra essas ameaças.

Fonte: D24am.