Brasil – Uma manhã habitual de trabalho agrícola na zona rural de Arara, no Agreste da Paraíba, transformou-se em um cenário de terror e desespero na última terça-feira (28). Um agricultor, acometido por um surto psicótico, atacou com extrema violência dois colegas de trabalho utilizando uma foice. O episódio foi integralmente filmado pelo celular de uma testemunha que estava no local e presenciou a rápida escalada de agressividade em meio à vegetação densa.
As vítimas — identificadas pelos colegas nas gravações como “Seu Lula”, um trabalhador idoso, e “Adriano”, de idade não revelada, sofreram ferimentos graves e foram socorridas às pressas por equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192). De acordo com informações preliminares apuradas junto a conhecidos do autor e à Polícia Militar, o agressor faz uso contínuo de medicação controlada e teria deixado de ingerir o remédio no dia do ataque, o que teria desencadeado a crise.
O início do surto e os avisos desesperados
As imagens gravadas no telefone móvel documentam o clima de tensão desde os primeiros instantes. No início do vídeo, o agressor é visto a vários metros de distância em um estreito caminho de terra entre o mato alto, gesticulando de forma desconexa enquanto segura uma foice. A testemunha que filma, percebendo a alteração no comportamento do agricultor, tenta intervir verbalmente e alertar os demais colegas do perigo iminente:
“Ele vai atirar em tu não, homem! Não vai ouvir não, homem! Não! Não! […] Ahhh! Não! Ah! Ah! Ai, meu Deus do céu! Ele vai matar Seu Lula!”
Quando o agressor avança em direção a Seu Lula e Adriano, a gravação se torna caótica. A mulher corre pela vegetação para tentar se proteger, enquanto gritos e apelos de desespero ecoam ao fundo. A rápida ação do autor impediu qualquer chance de defesa ou fuga por parte das duas vítimas.
A cena pós-ataque: gravidade dos ferimentos e solidariedade na mata
Segundos após os golpes, a testemunha retorna ao ponto do ataque e narra, visivelmente abalada, a gravidade dos ferimentos infligidos aos trabalhadores. Em terra, Adriano aparece com um corte dilacerante na perna esquerda, que provocou fratura exposta e intenso sangramento arterial.
Mesmo sob o risco de uma nova investida do agressor, que ainda rondava o perímetro armado com a foice , agricultores vizinhos começam a se aproximar para prestar socorro. A testemunha avisa aos presentes que já acionou a Polícia Militar pelo número 190, enquanto Adriano clama por ajuda para estancar a perda de sangue:
“Ai, meu Deus! Amarra aqui minha mão, tia!”, suplica o trabalhador, enquanto colegas utilizam tecidos e roupas para realizar uma compressão de emergência no membro ferido.
Em seguida, a imagem captura a chegada impressionante de Seu Lula. O idoso emerge da trilha caminhando desorientado, sem camisa, com ferimentos profundos no couro cabeludo e o tronco coberto de sangue, evidenciando a violência do impacto sofrido na cabeça.
Socorro médico e atuação das forças de segurança
A rápida comunicação com os serviços de emergência foi determinante para evitar uma tragédia ainda maior. Viaturas da Polícia Militar da Paraíba e ambulâncias de suporte do SAMU 192 chegaram à zona rural pouco depois do alerta emitido pelos moradores.
Os paramédicos realizaram os procedimentos de estabilização hemodinâmica em Adriano ainda em meio à vegetação, aplicando técnicas de controle de hemorragia grave e imobilizando a fratura antes de colocá-lo na maca de resgate. Seu Lula também recebeu os primeiros cuidados no local e foi conduzido junto ao colega em estado grave para uma unidade hospitalar de referência na região do Agreste.
Policiais militares conseguiram conter o autor do ataque e o conduziram a uma delegacia da Polícia Civil da região. A autoridade policial responsável abrirá inquérito para apurar as circunstâncias da tentativa de homicídio, devendo incorporar os prontuários médicos e o laudo psiquiátrico do investigado para avaliar a inimputabilidade ou responsabilidade penal no episódio. Até a última atualização desta reportagem, as autoridades não haviam divulgado boletins oficiais com os nomes completos dos envolvidos ou o estado de saúde atualizado dos agricultores.
Nota editorial: As imagens capturadas por celular contêm teor gráfico sensível e estão sendo analisadas pela perícia técnica da Polícia Civil da Paraíba como elemento de prova no inquérito policial.
Fonte: CM7