Integrantes da banda britânica Massive Attack afirmaram que foram detidos pela polícia de Singapura e submetidos a interrogatórios e revistas depois que o público presente em um de seus shows entoou slogans em apoio à Palestina, informaram agências internacionais de notícias nesta segunda-feira (3).
O Massive Attack, formado em 1988 na cidade de Bristol, na Inglaterra, é conhecido por suas posições políticas contundentes. Durante seus shows, vídeos exibidos no palco destacam conflitos em Gaza, no Irã, no Sudão, na Faixa de Gaza e na Ucrânia.
“Após nossa apresentação no Star Theatre, em Singapura, em 29 de julho, ficamos surpresos e decepcionados porque toda a nossa banda foi detida pela polícia, isolada e interrogada separadamente — com alguns integrantes submetidos a revistas em seus quartos de hotel e à apreensão temporária de seus passaportes”, afirmou o grupo em comunicado publicado nas redes sociais.
Segundo a banda, antes e depois do show, o público começou espontaneamente a entoar palavras de ordem em apoio à Palestina. O Massive Attack agradeceu aos espectadores pela manifestação e também expressou perplexidade com o fato de ter sido detido.
As redes sociais do Massive Attack reúnem diversas publicações condenando as ações de Israel na Faixa de Gaza.
Em comunicado conjunto divulgado na sexta-feira, a polícia e a autoridade de mídia de Singapura informaram que a banda está sendo investigada por “ações em apoio a uma causa política” após integrantes exibirem uma bandeira estrangeira durante a apresentação de quarta-feira.
As autoridades também anunciaram que o grupo não poderá mais se apresentar em Singapura.
A polícia afirmou ainda que um dos músicos gritou “Palestina Livre” (“Free Palestine”) durante o show, ato que, segundo as autoridades, pode configurar “uma possível violação das condições da licença” para a realização do evento.
Singapura não permite a exibição pública de símbolos nacionais estrangeiros sem autorização ou isenção, e a bandeira palestina é considerada especialmente sensível em razão do conflito na Faixa de Gaza e da população muçulmana do país.
Entretanto, o incidente é apenas o mais recente de uma série de medidas voltadas contra manifestações de solidariedade à Palestina. Desde o início da guerra na Faixa de Gaza, em outubro de 2023, manifestações pró-Palestina têm sido alvo de repressão em diversos países.
Singapura tem uma população etnicamente e religiosamente diversa de cerca de 6,11 milhões de habitantes, dos quais aproximadamente 15% dos cidadãos e residentes permanentes são muçulmanos.
Fonte: Brasil 247