Manaus – Um ponto de descarte irregular de lixo e entulhos foi denunciado no entorno do Bosque da Ciência, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), zona centro-sul da capital. Segundo a denúncia, resíduos estariam sendo jogados de forma recorrente por cima do muro da unidade, na região do Vale do Amanhecer, formando uma possível “lixeira viciada”.
Em entrevista ao GRUPO DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO, o chefe do Bosque da Ciência, Jorge Lobato, explicou que o problema ocorre na parte sul da unidade, nos fundos, próximo ao limite com uma área de casas. Segundo ele, moradores vizinhos estariam descartando lixo no local, principalmente durante a noite.
“Alguns moradores, vizinhos nossos aqui da parte sul do campus do INPA, na extremidade do fundo do Bosque da Ciência, estão cometendo crime ambiental. Estão, na prática, jogando lixo toda noite, resíduos, e isso tem provocado um prejuízo enorme”, afirmou.
De acordo com Lobato, entre os materiais encontrados estão plásticos, restos de comida, latas e outros resíduos. O acúmulo preocupa principalmente pelos possíveis impactos sobre a fauna silvestre existente na área.
“É um ambiente que tem toda uma harmonia, um paisagismo, que é muito bem cuidado e mantido limpo. A gente não pode esperar que esse ambiente seja contaminado e acabe se tornando uma lixeira viciada. Com o acúmulo de lixo, vão aparecer ratos, insetos, urubus e outros animais, o que pode afetar diretamente a fauna livre que existe aqui dentro. Esse é o impacto que nos preocupa, principalmente por se tratar de uma área de preservação”, destaca.
Cerca de 80 sacos de lixo são retirados
O volume de resíduos encontrado no local também chamou a atenção da equipe do Bosque. Segundo o chefe da unidade, um mutirão de limpeza foi realizado recentemente para retirar o material descartado por cima do muro. Na ação, foram recolhidos aproximadamente 80 sacos de 200 litros, o equivalente a cerca de 16 mil litros de resíduos.
Apesar da limpeza, Lobato afirma que novos resíduos voltaram a ser encontrados no local. Para ele, a continuidade do descarte pode transformar a área em uma “lixeira viciada” e ampliar os impactos ambientais.
“O Bosque da Ciência não pode ser tratado como lixeira viciada. É uma área de preservação aberta à visitação pública, com cuidado e zelo constante da gente estar organizando e limpando”, ressaltou.

Falta de conscientização ambiental
Além de alertar para os impactos ambientais, o chefe do Bosque fez um apelo aos moradores do Vale do Amanhecer para que não descartem resíduos na área.
“A gente gostaria de fazer esse apelo para você que é morador aqui do Vale do Amanhecer: colabore com o Bosque da Ciência, um espaço tão importante para a cidade de Manaus e para você mesmo visitar com a sua família. Não faça esse tipo de agressão diária que a gente está sofrendo”, destaca.
Segundo Lobato, o objetivo é sensibilizar os moradores e evitar que o problema se agrave.
“Gostaríamos muito de dialogar e sensibilizar você que está cometendo um crime ambiental. Isso pode dar um problema mais sério para as pessoas que estão fazendo isso”, afirma.
Risco para área de pesquisa e visitação
O Bosque da Ciência é um espaço do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) voltado à pesquisa, à educação ambiental e à visitação pública. O descarte recorrente de resíduos no entorno preocupa por poder comprometer a conservação da área e afetar a fauna e a vegetação.
Criado em 29 de outubro de 1952 e vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o INPA é referência nacional e internacional em pesquisas sobre a Amazônia, com atuação em áreas como biodiversidade, ecologia e mudanças ambientais.
Prefeitura é acionada
A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp) para saber se o órgão tem conhecimento do ponto de descarte, se já realizou ações de limpeza na área e quais providências serão adotadas para evitar que o local volte a ser utilizado para o despejo irregular de resíduos.
Até a publicação, a reportagem aguardava o posicionamento da Secretaria.
Fonte: D24am.