Seja ao longo das margens dos grandes rios amazônicos, nos igarapés ou nas áreas alagadas da região, a presença da capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) é uma cena clássica da nossa biodiversidade. Considerada o maior roedor do mundo, esse mamífero chama a atenção por sua natureza dócil e por sua impressionante adaptação ao ecossistema aquático.
Com peso que pode variar entre 35 kg e 65 kg na fase adulta — podendo ultrapassar esse valor em alguns casos —, as capivaras são animais gregários, vivem em bandos organizados e desempenham um papel fundamental na manutenção da fauna e flora locais.
Alimentação e Hábitos
As capivaras são animais estritamente herbívoros. Sua dieta é composta principalmente por:
- Gramíneas e capins: a base da sua alimentação diária nas margens dos rios;
- Plantas aquáticas: consumidas enquanto navegam ou nadam nos igarapés;
- Cascas de árvores e frutos: integrados à dieta conforme a disponibilidade de cada estação.
Por possuírem dentes incisivos de crescimento contínuo, elas precisam roer constantemente para evitar que os dentes fiquem grandes demais, o que torna a mastigação de fibras vegetais duras uma necessidade vital.
Curiosidade: Engenheiras Semiaquáticas
Uma das características mais fascinantes da capivara é a sua adaptação anatômica para a água. Seus olhos, narinas e orelhas estão alinhados na parte superior da cabeça, permitindo que o animal permaneça quase totalmente submerso enquanto observa os arredores e respira normalmente — funcionando como um verdadeiro periscópio natural.
Além disso, a capivara consegue prender a respiração por até 5 minutos debaixo d’água, uma habilidade essencial para fugir de predadores naturais na Amazônia, como jacaretinga e a onça pintada.
Contribuição do Portal: O “Engajamento Ecológico” da Capivara
Nota de Análise / Contribuição do Boletim Amazônia:
Além de sua beleza e simpatia popular, a capivara cumpre o papel de “jardineira dos ecossistemas aquáticos”. Ao pastar ao longo das margens fluviais, ela controla o crescimento excessivo de plantas aquáticas e gramíneas, evitando o entupimento natural de pequenos canais de igarapés. Suas fezes também servem como adubo e nutriente para organismos aquáticos e peixes da região.
Preservar o habitat da capivara é garantir o equilíbrio da cadeia alimentar e a fluidez das águas que sustentam a vida na Amazônia.