São Paulo – A Polícia Cívil de São Paulo segue investigando a morte a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana. O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, marido da vítima, é o principal suspeito da morte e foi preso, além de ser indiciado por feminicídio e fraude processual. O laudo da Polícia Científica do Estado de São Paulo descreve a versão dos fatos e a cena do crime.
O tenente-coronel também é alvo de investigações por parte da Justiça Militar, responsável por julgar crimes cometidos por policiais. Segundo o laudo da perícia, a abordagem, contenção da vítima e o dispara contra a cabeça dela pode ser descrita em quatro atos.
No momento da abordgaem, segundo os peritos, o tenente abordou a mulher por trás no interior da casa, pegando a vítima de surpresa.
Em seguida, Geraldo teria imobilizado Gise, agarrando-a pelas costas. A PM ainda tentou escapar do ataque do marido, porém, ainda conforme a perícia, ele estava com uma arma de fogo próximo à cabeça dela.
Lesões compatíveis com pressão de dedos foram encontradas na parte de baixo do rosto da PM e na lateral direita do pescoço. Os peritos acreditam que estas marcas indicam que houv uma luta corporal ou uma tentativa de esganadura antes do disparo de arma de fogo.

No inicio, a morte de Gisele era vista como suicídio, mas foi alterada para feminicídio devido a uma série de inconsistências na cena do crime.
As inconsistências são: marcas de agressão, dinâmica do disparo, estado do sangue da vítima, lacuna temporal, ausência de cartucho e posição da arma.
Os laudos pericias também indicavam violência física e o histórico de um relacionamento abusivo vivido pela vítima com o tenente-coronel.

A investigação, conduzida em conjunto com a Polícia Civil, obteve acesso a mensagens de celular que expõem uma dinâmica de relacionamento marcada por misoginia, controle excessivo e violência psicológica.
As mensagens reveladas pela perícia mostram o perfil controlador de Geraldo Neto. Em uma das comunicações, ele afirma categoricamente:
“Lugar de mulher é em casa, cuidando do marido. E não na rua, caçando assunto. Rua é lugar de mulher solteira à procura de macho”.
Testemunhas relataram que o tenente-coronel chegava a ir ao local de trabalho de Gisele, onde permanecia por horas observando seu comportamento. Quando questionado sobre sua conduta, ele respondia com declarações machistas, autodenominando-se um “macho alfa” provedor que deveria ser servido por uma “fêmea beta” submissa.
Fonte: D24am.