Assessora de Rodrigo Guedes e Bi Garcia é presa em operação que combate o ‘núcleo político’ do CV-AM

Amazonas – A prisão da falsa advogada Lucila Meireles Costa, de 42 anos, escancarou não apenas um suposto elo com o tráfico de drogas, mas também sua circulação nos bastidores da política amazonense. Ela atua como assessora parlamentar do vereador de Manaus, Rodrigo Guedes, e também tem ligação com o ex-prefeito de Parintins, Bi Garcia. Agora, o nome da assessora aparece vinculado a uma investigação que aponta a existência de um “núcleo político” dentro de uma organização criminosa ligada à facção Comando Vermelho.

Lucila foi presa na manhã desta sexta-feira (20), no Centro de Teresina (PI), durante ação da Polícia Civil do Amazonas, por meio do 24º DIP, com apoio de forças de segurança de outros estados. Segundo as investigações, ela se passava por advogada para acessar informações sigilosas no Tribunal de Justiça do Amazonas, utilizando indevidamente o token de uma profissional regularmente inscrita na OAB-AM. O objetivo seria antecipar operações policiais e decisões judiciais que atingiriam integrantes do esquema.

De acordo com a polícia, a organização atuava de forma estruturada, com divisão clara de tarefas. Havia núcleo operacional, responsável pela logística do tráfico; núcleo financeiro, encarregado da movimentação e lavagem de dinheiro; e um núcleo de apoio, que incluía a tentativa de infiltração e obtenção de dados sigilosos. É nesse contexto que surge a suspeita de articulação política, já que a investigação aponta que o grupo buscava influência e acesso a informações estratégicas dentro dos poderes constituídos.

O ponto de partida das apurações foi uma grande apreensão anterior: mais de 500 tabletes de maconha tipo skunk, sete fuzis de uso restrito, embarcações usadas no transporte da droga e veículos empregados na logística terrestre. A partir daí, a polícia aprofundou o rastreamento financeiro e identificou movimentações consideradas incompatíveis com a renda declarada dos investigados.

Segundo a PC-AM, o grupo utilizava rotas fluviais e terrestres para escoar drogas, além de veículos alugados em nome de terceiros para dificultar o rastreamento. Empresas formalmente registradas nos ramos de transporte e locação, mas com indícios de funcionamento apenas no papel, teriam sido usadas para movimentar e ocultar valores ilícitos. Relatórios apontam movimentações que podem chegar a R$ 70 milhões nos últimos anos.

A investigação também identificou ramificações em diversos estados, como Amazonas, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Piauí e São Paulo. Com autorização judicial, foram feitas quebras de sigilo bancário e fiscal, bloqueio de bens e extração de dados dos celulares apreendidos, ampliando o mapeamento das conexões.

A presença de Lucila no ambiente político coloca pressão sobre os agentes públicos citados e, até o momento, eles não se manifestaram sobre o escândalo. A assessora foi encaminhada ao sistema prisional e deverá responder por organização criminosa, tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e violação de sigilo funcional. As investigações continuam para apurar até onde iam as conexões entre crime organizado e bastidores da política.

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