Brasil – Nesta terça-feira (4/8), a Polícia Federal (PF) deu mais um passo para desarticular um esquema bilionário de fraudes envolvendo descontos irregulares em benefícios do INSS. Durante a nova fase da Operação Sem Desconto, agentes apreenderam pilhas de dinheiro em espécie e uma máquina de contar cédulas no escritório do advogado Willer Tomaz, em Brasília.
A atual etapa da investigação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), foca em mapear os caminhos da lavagem de dinheiro. Além do advogado, os 18 mandados de busca e apreensão cumpridos no Distrito Federal e no Maranhão miram familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA).
O Esquema de Lavagem de Dinheiro
O encontro de uma máquina de contar dinheiro em um escritório de advocacia reforça as suspeitas da PF sobre a intensa circulação de valores em espécie, uma tática clássica para dificultar o rastreamento financeiro.
De acordo com as investigações, o grupo criminoso montou uma engenharia financeira sofisticada para ocultar a origem ilícita e o destino final dos recursos oriundos das fraudes previdenciárias.
O modus operandi incluía: Uso de interpostas pessoas (“laranjas”): Movimentações realizadas em nome de terceiros, tanto pessoas físicas quanto jurídicas. Estruturas empresariais suspeitas: Utilização de empresas para dar aparência lícita aos repasses.
Transações em espécie: Operações com dinheiro vivo para evitar os radares do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e do Banco Central.
Além dos valores apreendidos, a PF recolheu mídias, eletrônicos e documentos. O material passará por perícia para tentar individualizar a participação de cada membro e desvendar a cadeia de repasses.

O Elo com o Senador e a Defesa dos Alvos
A conexão que colocou o advogado Willer Tomaz e a família do senador Weverton Rocha na mira da mesma operação envolve, entre outros fatores, a proximidade pessoal e o uso de bens de alto valor.
Um dos pontos centrais que ligam os investigados é uma aeronave de propriedade de Tomaz, que foi utilizada em caráter particular pelo senador maranhense — um fato que já havia se tornado público anteriormente. Em resposta à operação, a defesa do advogado Willer Tomaz divulgou uma nota minimizando as suspeitas sobre seu cliente e justificando a ação policial como um reflexo direto de sua relação com o parlamentar:
“A busca decorre exclusivamente do fato de ele [Willer Tomaz] ser proprietário da aeronave utilizada, em caráter particular, pelo senador Weverton Rocha em viagem já conhecida publicamente.”
A defesa argumentou ainda que o empréstimo do jatinho foi uma cortesia de caráter “pessoal e amistoso”, sem qualquer relação com os desvios no INSS, e ressaltou que o advogado permanece à disposição da Justiça para todos os esclarecimentos. A Polícia Federal, no entanto, segue analisando o material apreendido para confirmar se a relação entre os investigados se limitava apenas à amizade e a favores pessoais ou se englobava o esquema de ocultação de patrimônio.
Fonte: CM7