Caso Kiss: testemunha vira informante após publicação de filha

Compartilhe:

Foto: Fabíola Peres/R7

Porto Alegre – O juiz Orlando Faccini Neto transformou, nesta sexta-feira (3), a testemunha de acusação do Ministério Público Gianderson Machado da Silva, funcionário de uma empresa que fazia a manutenção dos extintores da boate Kiss, em informante.

A decisão foi tomada após o advogado de defesa do réu Mauro Hoffmann, Bruno Seligman de Menezes, ter citado no Tribunal do Júri uma publicação da filha de Gianderson em que ela se manifesta sobre o julgamento. O nome da filha de Gianderson foi parar nos trending topics do Twitter, e a postagem foi apagada na sequência. No entanto, a publicação foi exibida no plenário.

A jovem, 19, postou o seguinte texto em uma rede social: “Meu pai é o próximo a depor no caso da Kiss, que ele fale tudo! Que esses donos da boate apodreçam na cadeia!!!”. Questionado por Menezes no tribunal, Gianderson confirmou que era o nome da filha, e então o magistrado decidiu que, a partir de então, o funcionário especializado em manutenção de extintores seria ouvido apenas como depoente.

De acordo com a defesa, a postagem compromete a credibilidade do depoimento, porque mostra “predisposição a condenar os acusados”.

Depoimento
Em depoimento, Gianderson Machado da Silva disse que fazia a manutenção dos extintores da casa noturna uma vez por ano. “Nossa função era avisar ao cliente que iam vencer os extintores.”

“O senhor revisou esse extintor meses antes. Ele teria que estar funcionando?”, questionou o Ministério Público. “Se não estava, pode ter sido violado, mexido, tirado o pino, derrubado. Pode acontecer.” Gianderson disse que verificou quatro extintores em funcionamento e que compareceu à boate durante três anos. “Os três anos que eu fui, dentro do mês de vencimento, foi efetuada a recarga. As recargas são feitas uma vez por ano. O cliente tem que apresentar a recarga para a renovação do alvará. Não é comum um extintor revisado falhar”, disse o informante.

Fonte: D24am.