Análise da InfoAmazonia mostra que os sítios arqueológicos Passarinho, São Tomé Açu e Outeiro, classificados como bens pré-coloniais, estão sobrepostos ao bloco de exploração de gás AM-T-85, em Silves. Arqueóloga afirma que a região é “chave para a compreensão da história antiga da Amazônia”.
Um bloco de exploração de gás da Eneva (AM-T-85), que teve a licença renovada em janeiro deste ano, está sobreposto a três sítios arqueológicos em Silves, no Amazonas: Passarinho, São Tomé Açu e Outeiro. Essas áreas são consideradas bens pré-colonias, que guardam evidências físicas de ocupação humana antes da invasão portuguesa, mas, mesmo assim, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) concedeu a liberação no início deste ano.
Entre as condicionantes da licença de instalação está a obrigação de interrupção imediata das atividades em caso de identificação de vestígios arqueológicos. A primeira autorização foi concedida pelo Ipaam à Eneva em 2024. Os sítios, no entanto, já haviam sido registrados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) entre 2022 e 2023. Neste ano, é a terceira vez que a licença é renovada.
As áreas, classificadas como bens pré-coloniais, são lugares que guardam vestígios materiais de povos indígenas antes de 1500. Ao todo, o Amazonas tem 607 sítios arqueológicos, em 62 municípios, registrados no Sistema Integrado de Conhecimento e Gestão do Governo Federal (SICG), do Iphan.