‘Vacinação de crianças contra a Covid-19 não é assunto consensual’, diz ministro Marcelo Queiroga

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Na manhã desta sexta-feira (17), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que a vacinação de crianças contra a Covid-19 não é um “assunto consensual”. A declaração foi dada um dia após a Anvisa aprovar o uso da vacina Pfizer contra a Covid em crianças.

Apesar do aval da agência reguladora, cabe ao Ministério da Saúde decidir se inclui ou não o imunizante para crianças no Programa Nacional de Imunizações (PNI). Além disso, é responsabilidade do governo federal adquirir as doses para a vacinação deste público.

“Queremos discutir esse assunto de uma maneira aprofundada, porque não é um assunto consensual. Há aqueles que defendem, há os que defendem de maneira entusiasta, há os que são contra”, afirmou o ministro da Saúde.

Ele afirmou também que divulgará um “cronograma” no momento em que a análise for iniciada, e que pretende dialogar com o Conselho Nacional de Justiça e com o Conselho Nacional do Ministério Público Federal sobre o assunto.

Ontem (16/12), Queiroga afirmou que o tema sobre a vacinação de crianças será “amplamente discutido” na pasta antes que a decisão seja tomada, mas adiantou que a medida não será adotada em 2021.

Nota da Avisa

Em nota oficial divulgada no dia 16 de dezembro, citando a Organização Mundial de Saúde, Anvisa admite que “há proporcionalmente menos infecções sintomáticas e casos com doença grave e mortes por COVID-19 em crianças e adolescentes, em comparação com grupos de idade mais avançada. Os casos desagregados por idade notificados à OMS de 30 de dezembro de 2019 a 25 de outubro de 2021 mostram que as crianças menores de cinco anos representam 2% (1.890.756) dos casos globais notificados e 0,1% (1.797) das mortes globais notificadas. Crianças e adolescentes de 5 a 14 anos são responsáveis por 7% (7 058 748) dos casos globais relatados e 0,1% (1 328) das mortes globais relatadas, enquanto adolescentes e adultos de 15 a 24 anos representam 15% (14.819.320) dos casos globais notificados e 0,4% (7.023) das mortes globais notificadas. As mortes em todas as idades inferiores a 25 anos representaram menos de 0,5% das mortes globais relatadas”.

“A OMS também informa que crianças e adolescentes geralmente têm menos sintomas de infecção por SARS-CoV-2 em comparação com adultos e são menos propensos a desenvolver COVID-19
grave. Sintomas mais leves e apresentações assintomáticas podem significar busca de atendimentos menos frequente nesses grupos, portanto, crianças e adolescentes tendem a ser menos testados e casos podem não ser notificados”.

No entanto, a agência também ressalta “embora o percentual de doenças graves entre os casos pediátricos seja pequeno, à medida que o número de infecções aumenta, também aumentará o número de crianças que ficarão gravemente doentes”.

Leia nota na íntegra: Comunicado Público da Anvisa

Efeitos adversos vs benefícios 

Em live sobre a nota, a Anvisa também coletou dados relacionados a efeitos colaterais analisados pela CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos) como as inflamações no coração (miocardite e pericardite) nas faixas etárias em que as doses já foram aplicadas. Confira:

E levantou um quadro sobre as notificações adversas e a quantidade de casos que tiveram alta e a minoria que evoluíram para mortes.

Abordaram também sobre as reações adversas gerais já no público infantil de 5-11 anos nos países em que vacinação no público foi liberada.


E também associou os efeitos colaterais a dosagem ministrada no público adulto às menores faixas de idade. E sugeriu adaptações para o público infantil, com a medida já adaptada pelas marcas das empresas fabricantes. Confira: