Brasil – Aos 17 anos, a influenciadora digital Vitória, conhecida por mais de 4 milhões de seguidores como Vitória MineBlox, quebrou o silêncio sobre um longo histórico de violência doméstica e sexual que alega ter sofrido do próprio pai. Após publicar um vídeo denunciando os abusos, a jovem sofreu uma severa crise de pânico e precisou ser socorrida às pressas por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). O vídeo foi compartilhado nesta quarta-feira (20/5) pelo ativista Walisson Oliveira, que tem fornecido atualizações sobre o caso.
A situação da jovem tem gerado forte comoção nas redes sociais e expôs supostas falhas graves na rede de proteção a crianças e adolescentes na cidade de Tianguá, no Ceará.
O Vídeo e o Colapso Emocional
Imagens que circulam na internet mostram o exato momento de desespero da adolescente, que entra em colapso emocional após a gravação de seu desabafo. Os registros de câmeras de segurança exibem o socorro sendo prestado pelo SAMU enquanto a jovem sofre a crise aguda.
Em paralelo, um vídeo divulgado pelo ativista Walisson expõe publicamente a gravidade da situação. Ele classifica o cenário como “assustador, revoltante e desumano”, apontando a inércia do aparato estatal local. Nas imagens, ouvem-se os gritos e o clamor por justiça da adolescente, enquanto Walisson acusa a Justiça e os órgãos de Tianguá de invalidarem os relatos da vítima e ignorarem o descumprimento de medidas protetivas por parte do agressor.
Histórico de Violência e Terror
Segundo o relato da youtuber, a decisão de expor o ambiente familiar ocorreu após seu genitor acionar o Judiciário com denúncias que ela classifica como falsas, acusando a mãe da jovem de maus-tratos e cárcere privado. Vitória afirma que esses crimes eram, na verdade, cometidos pelo próprio pai durante os 12 anos em que viveram sob o mesmo teto, período marcado por ameaças de morte direcionadas aos avós maternos.
Entre as principais violações denunciadas pela influenciadora, destacam-se:
- Abuso Psicológico e Sexual: Aos 11 anos, Vitória teria sido obrigada pelo pai a ficar nua na frente dele, sendo proibida de se cobrir enquanto chorava. Ela também relata olhares fixos e constrangedores quando usava determinadas roupas.
- Tentativas de Feminicídio: O agressor já teria perseguido a mãe de Vitória empunhando uma faca, ameaçando tirar a vida dela.
- Tortura Psicológica no Trânsito: O genitor colocava mãe e filha no carro e dirigia em alta velocidade de forma imprudente, com o intuito deliberado de causar pânico e simular acidentes iminentes.
- Destruição de Patrimônio: O ambiente doméstico era marcado por surtos de raiva, nos quais o homem quebrava computadores, pratos e atirava objetos contra as paredes.
Negligência e Favorecimento Institucional em Tianguá
Um dos pontos mais alarmantes do desabafo é a denúncia de que o Conselho Tutelar e o Ministério Público local estariam protegendo o agressor. Vitória relata que o pai, por já ter trabalhado como motorista do Conselho Tutelar da cidade, possui influência no órgão, o que teria resultado no vazamento de informações sigilosas do processo.
Apesar de o homem utilizar tornozeleira eletrônica e de existir uma medida protetiva em vigor, a influenciadora afirma que a Justiça trata a aproximação dele como “algo vago”. Ele continuaria rondando a residência da família e já chegou a ir à escola da adolescente. Diante da inversão de narrativas, Vitória revelou o medo iminente de ser enviada a um abrigo público devido às falsas acusações feitas pelo pai.
“Saiba, Conselho Tutelar e Ministério Público, que o que vocês estão fazendo é completamente um absurdo. Vocês não estão acreditando na versão da vítima, vocês estão preferindo escutar um abusador.” — Vitória MineBlox, em vídeo.
Impactos Profundos na Saúde Mental
O longo período sob violência deixou marcas severas na saúde mental de Vitória. O trauma fez com que a jovem e sua mãe se afastassem da internet e da vida social.
A influenciadora revelou ter desenvolvido síndrome do pânico e ideações suicidas, precisando passar por internações em clínicas psiquiátricas. Atualmente, a adolescente realiza seus estudos em casa (homeschooling), pois o simples ato de sair às ruas engatilha crises de pânico pelo medo de estar sendo vigiada ou atacada pelo pai.
O caso segue repercutindo e gerando pressão popular para que instâncias estaduais e nacionais de direitos humanos intervenham em favor de Vitória e sua mãe.
Fonte: CM7