Amazonas – O debate do NC Eleições 2026 nesta quinta-feira (17/9) foi marcado por um encerramento contundente do candidato ao Senado Ismael Munduruku (REDE). Em suas considerações finais, Munduruku fez duras críticas aos grupos políticos que comandam o Amazonas há anos, direcionando ataques diretos a Wilson Lima, a quem acusou de buscar a vaga no Senado apenas para fugir de condenações judiciais.
Apresentando-se como o primeiro indígena do estado a disputar o cargo, Munduruku usou seu tempo para destacar sua trajetória. Ele relembrou suas raízes, o nascimento na floresta e a vinda para Manaus em busca de educação e formação universitária. O candidato fez questão de ressaltar que sua campanha é integralmente financiada pelo próprio trabalho, sem a utilização de fundos públicos ou partidários, contrastando sua candidatura com o que chamou de “elite” que historicamente ocupa o poder no estado.
O discurso ganhou contornos mais agressivos ao avaliar a gestão estadual. Munduruku afirmou que o Amazonas está sendo “saqueado e destruído” há oito anos, criticando a postura da administração estadual que, segundo ele, passou anos atacando adversários, mas agora recorre ao presidente Lula “com pires na mão” em busca de socorro financeiro.
A fala mais polêmica da noite, no entanto, foi direcionada à gestão da pandemia de Covid-19 no estado. Relembrando a trágica crise da falta de oxigênio em Manaus, Munduruku classificou a gestão como um “governo assassino” e disparou seu ataque mais duro a Wilson Lima: “não podemos mandar para lá pessoas que querem ser senador pela imunidade parlamentar (…) nós temos aqui um futuro presidiário se perder a eleição pro Senado”.
A declaração faz referência direta à ação penal em curso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que apura supostas irregularidades na compra de respiradores durante o pico da pandemia de Covid-19. Wilson Lima tornou-se réu no processo em 2021. Em setembro de 2026, a Corte Especial do STJ rejeitou por unanimidade os recursos apresentados pela defesa, mantendo o andamento do processo, embora a decisão ainda não represente um julgamento final sobre a culpa ou inocência dos acusados.
Transcrição na Íntegra das Considerações Finais
“Quero dizer para a história desse país, candidato ao Senado, o primeiro indígena do estado do Amazonas que teve a audácia de furar essa bolha e ser candidato ao Senado. Um cargo muito elitizado no nosso estado. A elite sempre ocupou esse cargo e hoje meu nome está aí à disposição da população do estado do Amazonas. População que eu amo de verdade. Não sou um forasteiro, eu sou filho dessa terra, eu sou filho da floresta.
Eu nasci e me criei na floresta, conheço as dificuldades do povo do nosso estado. Vim para Manaus em busca de uma educação melhor, vim para Manaus em busca de oportunidade e entrar na universidade. Coisa que eu consegui. Consegui, hoje vivo do meu trabalho. Hoje, inclusive, o meu trabalho está financiando a minha campanha. Se você olhar nas minhas contas públicas que estão lá, eu não tenho um centavo sequer de dinheiro público, de verba partidária para financiamento da campanha ao Senado de Ismael Munduruku.
Mas quero dizer que hoje o nosso estado está sendo saqueado. Há 8 anos nosso estado está sendo saqueado, destruído e não tem dinheiro pra nada. Que estão pedindo com pires na mão do presidente Lula… há 8 anos batendo num governo que agora eles estão lá com pires na mão pedindo dinheiro pra socorrer o estado, que eles ficam negando e negando ao presidente Lula.
Eu quero dizer que nós precisamos levar para o Senado… não podemos levar um governo assassino para lá. Não podemos levar um governo que assassinou pessoas quando não trouxe oxigênio pro nosso estado. Não podemos mandar pra lá pessoas que querem ser senador pela imunidade parlamentar e para não ir pra cadeia, porque nós temos aqui um futuro presidiário se perder a eleição pro Senado. E eu quero ver essa pessoa presa pra pagar pelos crimes que cometeu.”
Fonte: CM7