Bomba no caso Vitória: pistoleiro culpa policiais para livrar mandantes do crime da prisão

Compartilhe:

Manaus – Pouco tempo após revelar detalhes sobre como teria ocorrido o crime e a articulação do assassinato do Sargento Lucas, o acusado de ser pistoleiro Silas Ferreira da Silva ‘meteu o louco’ e tentou desmentir tudo o que havia dito antes, caluniando a polícia de estar o torturando e também afirmando que nunca ouviu falar de Joabson, o dono do Vitória. O mais interessante é que essa narrativa surgiu logo após aparecerem os advogados do grupo Naranjo.

Após ter tido orientação dos advogados, Silas gravou um vídeo que foi disparado de forma editada para à imprensa manaura. As manchetes colocaram o acusado de ser pistoleiro como uma vítima da sociedade, inclusive caluniando a polícia, ao afirmar estar sofrendo tortura e sendo privado de água e comida. Não bastasse a afronta ao trabalho dos policiais da Instituição da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Ferreira ainda teve a ‘cara de pau’ de afirmar “sei nem quem diabo é Joabson“.

Mas a verdade é que até uma moto que foi comprada com parte dos $65 mil da recompensa, foi encontrada com o acusado. Tal informação está registrada no próprio depoimento que Silas Ferreira da Silva prestou à polícia.

Leia na integram:

Depoimento_Silas_Ferreira_da_Silva 

Vitimização

Orientado pelos advogados, Silas gravou um áudio em que: 1) nega ser o autor do homicídio. 2) Afirma ter sido alvo de tortura e não estar sendo alimentado direito. 3) que não sabe quem é Joabson e 4) Que é ‘apenas’ um ladrão.

A narrativa no áudio vai contrária a todas as informações que o acusado já havia dito à polícia: desde o valor de $65 mil da recompensa pela realização do assassinato do alvo, o sargento Lucas Gonçalves. Menospreza também a informação sobre contato entre ele e o dono da rede de supermercados através da intermediação de um funcionário do Vitória, de nome Reginaldo, e também sobre o próprio depósito em pagamento do valor após o serviço.

Além de todas as inconsistências, Silas também possui diversas passagens criminais, já tendo atuado como soldado da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele já passou cinco vezes pelo sistema penitenciário, quatro por roubo e uma por porte ilegal de armas. Não é uma mero “ladrão”, mas um criminoso articulado, treinado para matar e com suas “fontes de socorro”, conforme são treinados criminosos que pertencem a tal facção.

Escute a “cara de pau”:

Confira transcrição:

“Aqui sou eu, Silas Ferreira da Silva. Venho pedir um apelo às autoridade que eu estou preso já quase há uma semana aqui na (delegacia de) homicídios. Certo? Estou sofrendo vários tipos de ameaça. Já me bateram, já. Já botaram saco na minha cara duas vezes, dizendo que eu tenho que assumir a poha do homicídio ai, sendo que eu nunca matei ninguém. Certo ?“¹ Ficam falando no meu ouvido a respeito de um tal de Joabson, Joabson… (pausa de meio segundo) Meu irmão, não sei nem quem diabo é Joabson, meu irmão. Tá entendendo ?” 

“O que tá acontecendo comigo, é o que ? Eu acho que é um tremendo engano, porque eu nunca matei ninguém. Tá entendendo ? A minha parada só é roubo. Tá entendendo ?” 

“A (Delegacia Especializada em) Homicídios me trouxe pra cá. Já me bateu várias vezes. Fez eu falar no tal de Joabson, que eu nunca sei nem quem é Joabson. Querem que eu assuma um homicídio na tora. Tá entendendo ? Sendo que eu nunca matei ninguém.

“Eu quero, pelo amor de Deus, pedir às autoridades, que me tirem dessa delegacia de Homicídios. Por favor, porque eu tô sofrendo maus-tratos, não tô me alimentando direito. Passei três dias sem tomar água. Tá entendendo ? Pelo amor de Deus, eu nunca matei ninguém, cara. Por favor, autoridade, dê atenção ai pra mim, cara. Eu sou uma pessoa… eu sou apenas um ladrão fodido !

Análise

No áudio de Silas¹, diversas perguntas após afirmações que deveriam ser contundentes, caso fossem verdadeiras, podem indicar possíveis atos falhos, sinal de incoerência do discurso, denunciando possíveis mentiras e nervosismo típicos de “depoimentos ensaiados“.

Orientação dos Advogados

Os advogados Christhian Naranjo e Leandro Rebelo, que amparam a defesa de Silas, chegaram a negar o depoimento assinado por Silas à polícia.  “Se existe, é ilegal e será contestado na justiça. O depoimento não poderia ser feito sem a presença de seus defensores.” No entanto, agora percebe-se que os advogados extrapolaram ainda mais.

A criação de uma narrativa por meio da orientação ao próprio acusado, caso esteja sustentando uma mentira, pode indicar litigância de má-fé contra o trabalho desempenhado pela investigação policial.

O art. 80 descreve os atos que são caracterizadores de litigância de má-fé. Confira:

Art. 80. Considera-se litigante de má-fé aquele que:
I – deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato incontroverso;
II – alterar a verdade dos fatos;
III – usar do processo para conseguir objetivo ilegal;
IV – opuser resistência injustificada ao andamento do processo;
V – proceder de modo temerário em qualquer incidente ou ato do processo;
VI – provocar incidente manifestamente infundado;
VII – interpuser recurso com intuito manifestamente protelatório.”

Ainda com a movimentação dos advogados de Silas, a prisão de Reginaldo, o intermediador do assassinato, pode ser o ponto de desfecho do caso e o fim da linha para o casal do Vitória.