Amazonas — Um desabafo emocionante registrado em vídeo repercutiu ao denunciar um grave crime ambiental no município de Presidente Figueiredo (AM). O proprietário e responsável pelo espaço ecoturístico da Cachoeira Natal (também conhecida como Natal Falls) caiu em prantos ao registrar a contaminação e a degradação do Rio Urubu, cujas águas banham o ponto turístico.
Em 15 anos de atuação na região, o empresário afirmou nunca ter testemunhado tamanho desrespeito à natureza. As águas do rio, historicamente cristalinas e conhecidas pela alta qualidade ambiental e abundância de vida silvestre, transformaram-se em uma correnteza marrom, turva e cheia de lama.
Por conta da contaminação da água, que perdeu completamente as condições para o banho, o local precisou ser fechado temporariamente. O empresário relatou o prejuízo financeiro e moral de ter que barrar os visitantes e reembolsar os turistas que já estavam no local.
“Está me dando vontade de chorar de ver uma coisa dessa. A gente luta tanto aqui para trabalhar e as pessoas vêm fazer uma coisa dessa. Vocês não têm amor por nada! Não merece nem viver num planeta desse essas pessoas, meu Deus!”, desabafou o empresário durante a gravação, visivelmente emocionado.
Intervenção ilegal rio acima
Segundo a denúncia, a alteração na coloração e no leito da água é fruto de crimes ambientais cometidos por propriedades situadas rio acima. Entre as irregularidades apontadas estão a supressão da mata ciliar, o desmatamento das margens e a manipulação indevida do leito do Rio Urubu.
O caso já foi formalmente denunciado aos órgãos ambientais do município de Presidente Figueiredo, que foram acionados para vistoriar a área, registrar a ocorrência e identificar os responsáveis pelas intervenções ilegais.
Um patrimônio natural atingido
Presidente Figueiredo conta com mais de 150 cachoeiras catalogadas, e a Cachoeira Natal destaca-se como a mais larga de todas no município, contando com uma queda d’água de cerca de 60 metros de extensão encravada na Floresta Amazônica.
Localizada a cerca de 30 a 40 minutos de carro da Corredeira do Urubuí por meio de estrada de terra (ramal), a atração atrai diversos turistas e conta com estrutura de apoio como banheiros, chuveiros externos e internet Wi-Fi. O fechamento forçado afeta diretamente o ecoturismo local, a fauna aquática e a economia da comunidade que depende da preservação ambiental para subsistir.
Fonte: CM7