Sentinela dos rios, ariranha é incluída na lista de espécies migratórias ameaçadas

A ariranha foi incluída na lista da Convenção sobre Espécies Migratórias da ONU, abrindo caminho para ações internacionais de conservação. Estudos revelam que sua população caiu 50% em 25 anos; a perda e a fragmentação do habitat, além da poluição dos rios, são a principal ameaça.

A Convenção das Nações Unidas sobre Espécies Migradoras (CMS) aprovou a inclusão da ariranha (Pteronura brasiliensis) entre os animais que necessitam de ações urgentes de conservação. A medida é resultado da pressão de pesquisadores e organizações ambientalistas junto aos governos signatários da convenção.

As negociações que elevaram o status de conservação deste mamífero semiaquático ocorreram na 15ª Conferência das Partes da CMS (COP15), que terminou no domingo (29), em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

A ariranha é a maior lontra do mundo. Em inglês, seu nome significa literalmente lontra gigante – giant otter. Aqui, seu nome deriva da palavra tupi-guarani ari’raña , que quer dizer “onça d’água”. Com garras e dentes afiados, ela é conhecida por seu comportamento arisco e o som alto e estridente que produz.

Carnívora, ela constrói suas tocas nas margens de rios de águas claras. Sua distribuição se estendia a bacias de quase toda a América do Sul. Hoje suas populações estão restritas à Amazônia e ao Pantanal. No passado, a caça indiscriminada para o comércio de peles representava a principal pressão. Hoje, a perda e a fragmentação de habitats, além da poluição dos rios, tornaram-se a principal ameaça.

Os pesquisadores que defenderam maior proteção também apontaram que a espécie está listada como “em perigo de extinção” na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Um animal topo de cadeia, ele se alimenta de peixes e seu único predador é a onça-pintada (Panthera onca). Sua presença representa o equilíbrio da cadeia alimentar.

“Costumamos dizer que a ariranha é a sentinela dos rios, pois sua presença significa a saúde dos ecossistemas”, diz a bióloga Caroline Leuchtenberger, criadora do Projeto Ariranhas e coordenadora do grupo de lontras da IUCN. 

Ela explica que a espécie não realiza uma migração clássica – ou seja, como parte do seu ciclo reprodutivo ou para a alimentação sazonal. Mas a extensão de seus territórios ao longo dos rios na Amazônia e no Pantanal justifica ações transnacionais. Quando a conexão aquática permite, a ariranha, uma exímia nadadora e mergulhadora, transita facilmente entre os países através dos rios transfronteiriços. “Todas as outras espécies que dependem da integridade destes rios vão se beneficiar de um maior esforço de conservação das ariranhas”, enfatiza a pesquisadora. Portanto, a perda de conectividade das bacias hidrográficas é uma das principais ameaças.

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