Brasil – A União Europeia anunciou nesta terça-feira (12) a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar carne e produtos de origem animal para o bloco a partir de 3 de setembro deste ano.
A decisão foi tomada após a atualização das regras sanitárias europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos na pecuária. Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou garantias suficientes de que determinados medicamentos proibidos pela UE não são utilizados na criação de animais destinados à exportação.
Com a medida, o país poderá deixar de exportar para o mercado europeu produtos como carne bovina, aves, ovos, peixes de aquicultura, mel, além de bovinos, equinos e outros itens de origem animal.
De acordo com a porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Eva Hrncirova, o Brasil só poderá retornar à lista após comprovar que cumpre integralmente as exigências sanitárias do bloco durante todo o ciclo de vida dos animais.
Entre os antimicrobianos proibidos pela União Europeia estão substâncias utilizadas como promotores de crescimento animal, como virginiamicina, avoparcina, bacitracina, tilosina, espiramicina e avilamicina.
Em abril deste ano, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria proibindo a importação, fabricação e comercialização de alguns desses medicamentos no Brasil, incluindo a avoparcina e a virginiamicina.
Especialistas apontam que o país terá dois caminhos para retomar as exportações: ampliar as restrições ao uso desses antimicrobianos ou garantir, por meio de rastreabilidade, que os produtos exportados não contenham as substâncias vetadas.
O pesquisador Leonardo Munhoz, do Centro de Bioeconomia da Fundação Getulio Vargas (FGV), afirmou que as exigências europeias já eram esperadas desde 2019 e podem gerar impactos importantes para o agronegócio brasileiro.
A União Europeia é atualmente um dos principais destinos da carne bovina brasileira, ficando atrás apenas da China e dos Estados Unidos em valor exportado, segundo dados do sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura.
A decisão ocorre poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, embora especialistas afirmem que a medida sanitária não tenha relação direta com o tratado.
Fonte: D24am.